DIA DE SÃO MARTINHO

Hoje é dia de São Martinho. Alguém conhece esta tradição portuguesa?

castanhas

No dia 11 de novembro, comemora-se o Dia de São Martinho, nomeadamente com castanhas assadas, vinho e água-pé. O provérbio é esclarecedor: “Dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho”. Porém, nem todas as pessoas conhecem a Lenda de São Martinho que, como todas as lendas, é uma narrativa breve que se transmite de geração em geração, tem na base algo de real e localiza-se no tempo e no espaço. As lendas são, com efeito, uma simbiose entre o real e o sobrenatural.

Ora reza a lenda que num dia extremamente gélido e de enorme tempestade, ia São Martinho, valoroso soldado romano, no seu cavalo, no ano de 338, às portas de Amiens (França) quando viu um mendigo cheio de frio e quase nu. Então, São Martinho, sem hesitar, agarrou na espada, cortou a sua capa ao meio e deu uma das partes  ao mendigo para se agasalhar. E, no mesmo instante,  a tempestade parou e um sol radioso inundou a terra de luz e calor.

Mas diz a lenda que Deus, para que não se apague na memória dos homens a bondade praticada pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias a chuva e o frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol: o chamado “verão de São Martinho”.

Podem ver aqui dois vídeos interessantes sobre a Lenda de São Martinho:

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OS PLEONASMOS

Alguém sabe o que é um pleonasmo?

Um pleonasmo é a repetição desnecessária de uma palavra ou ideia na mesma frase. Normalmente é considerado um vício de linguagem.

Exemplos:

  • Subir para cima.
  • Hemorragia de sangue.
  • Entrar para dentro.
  • Sair para fora.
  • Suicidou-se a si mesmo.
  • Panorama geral.
  • Adiar para depois.
  • Encarar de frente.
  • Fogo que arde.
  • Descer para Baixo.
  • Elo de ligação.
  • Acabamento final.
  • Certeza absoluta.
  • Em duas metades iguais.
  • Há anos atrás.
  • Recuar para trás.
  • Multidão de pessoas.
  • Cardume de peixes.
  • Surpresa inesperada.

Em literatura usa-se, muitas vezes, um pleonasmo para enfatizar algo. Neste caso, não é considerado um vício de linguagem, mas sim um pleonasmo literário.

Entre os pleonasmos literários encontramos:

“Iam vinte anos desde aquele dia
Quando com os olhos eu quis ver de perto
Quanto em visão com os da saudade via.”

(Alberto de Oliveira)

“Morrerás morte vil na mão de um forte.”
(Gonçalves Dias)

“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal”

(Fernando Pessoa)

“O cadáver de um defunto morto que já faleceu”
(Roberto Gómez Bolaño)

“E rir meu riso”
(Vinícius de Moraes)

pintar a domiciliopeixaria

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O GÉNERO DAS PALAVRAS

Outro problema que um hispanofalante tem quando quer aprender português é a questão do género das palavras.

Entre estas duas línguas há palavras que mudam de género. Por exemplo, uma palavra feminina em português terminada em –agem é masculinas em espanhol e termina em -aje.

Exemplo: A viagem (el viaje), a linguagem (el lenguaje), a paisagem (el paisaje).

O contrário também acontece, ou seja, uma palavra masculina em português terminada em -ume é feminina em espanhol e termina em -umbre.

Exemplo: O legume (la legumbre), o lume (la lumbre), o costume (la costumbre).

Além destas duas regras, há outras palavras que mudam de género de uma língua a outra mas, infelizmente, já não seguem uma regra. Estas palavras devem ser memorizadas.

Português

Espanhol

Português

Espanhol

a árvore  el árbol o silicone la silicona
a dor  el dolor o leite la leche
a fraude  el fraude o mel la miel
a cor  el color o nariz la nariz
a ponte  el puente o sal la sal
a desordem  el desorden o sangue la sangre
a origem  el origen o sinal la señal
a estreia  el estreno o postal la postal
a guia  el guía o samba la samba

 

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DIFERENÇAS ESPANHOL/PORTUGUÊS

As poucas diferenças que existem entre o português e o espanhol resultam da evolução separada que as duas línguas tiveram a partir do latim vulgar. Muitas destas diferenças seguem um padrão, que pode ser utilizado para converter muitas palavras de uma língua para outra. Estas regras, que podem ser úteis em muitos casos, não devem ser consideradas universais. Só servem para um conjunto reduzido de palavras e há muitas exceções. Tenham cuidado com isto!

Estas regras estão feitas para aqueles que falam espanhol. Com elas, poderão converter muitas palavras da vossa língua para o português. Fazer a operação contrária não é tão fácil.

Vejamos essas transformações:

  •  O conjunto “ue” em espanhol passa a “o” em português:Ue_o
  • O conjunto “ie” em espanhol  passa a “e” em português:ie_e 
  • Muitas vezes, palavras começadas por “h” em espanhol, começam por “f” em português. Mas há muitas exceções.
  • H_F
  • O conjunto “ch” em espanhol  passa, muitas vezes, a “it” em português:Ch_it
  • As terminações “ión“, “ón“, e “an” em espanhol passam a “ão” em português:
  • ION_ÃO
  • Os plurais “ones” e “anes” em espanhol passam a “ões” e “ães” em português:
  • ONES_OES
  • A terminação “able” em espanhol passa a “ável” em português:ABLE_AVEL
  • A terminação “dad” em espanhol passa a “dade” em português:DAD_DADE
  • As palavras que começam por “ll” em espanhol, muitas vezes começam por “ch” em português:
  • LL_CH
  • Muitas vezes, o “j” em espanhol passa a “lh” em português:J_LH
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SENÃO VS SE NÃO

Hoje vamos falar sobre a confusão entre “senão” e “se não“.

Esta diferença é simples. Basta saber que “se não“, escrito de forma separada, tem o significado de “caso não” e tem expressa, de forma clara, uma negação.

Ex.: Se não vieres, fico chateado contigo. (caso não venhas, fico chateado contigo).

A forma “senão” utiliza-se nos restantes caso como, por exemplo, com o sentido de “caso contrário”, “a não ser que”, “de outro modo”.

Ex.: Nada ocorre por acaso, senão por amor. (Nada ocorre por acaso, a não ser por amor)

Faz os deveres, senão a professora vai ficar chateada. (Faz os deveres, caso contrário a professora vai ficar chateada)

senão vs se não

Como podem ver na primeira frase da imagem anterior, a palavra “senão” é seguida de outro “não”.

Assim sendo, um truque para saber se devemos usar “senão” ou “se não” é colocar outro “não”. Por isso, nessa frase não poderiamos dizer: Estuda muito se não não vais ter boa nota. O correto é: Estuda muito, senão não vais ter boa nota.

Espero que tenham aprendido a diferença.

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PORQUE, POR QUE OU PORQUÊ

Quando devemos usar “porque“, “por que” ou “porquê“?

Esta é uma dúvida muito comum entre os alunos de português como língua estrangeira e também entre os falantes nativos de Língua Portuguesa.
Vamos tentar explicar, da melhor forma possível, em que circunstâncias se utiliza cada uma destas formas.

PORQUEk

1 – Escreve-se porque:

a) Quando é conjunção causal: «Não saio, porque está a chover.»
b) Quando é advérbio interrogativo: «Porque é que não vens comigo?» «Porque é que ele faz isto?»

Nestas orações interrogativas diretas, é um advérbio, porque está ligado a um verbo.

Também é advérbio interrogativo nas orações interrogativas indiretas: «Diz-me lá porque faltaste à aula.» «O pai perguntou-lhe porque não veio.»

A palavra porque também é advérbio interrogativo depois do advérbio eis em frases do tipo destas: «Eis porque havemos de ser tolerantes.» «Eis porque não concordo contigo.»

porque também é advérbio interrogativo em títulos de livros, como por exemplo: Porque viemos. Porque sou cristão.

2 – Escreve-se por que:

a) Quando por é preposição e que é pronome relativo (isto é, por que pelo qualpela qualpelos quaispelas quais). Exemplos: «Este é o dinheiro por que (pelo qual) vendo a casa.» «A ideia por que (pela qual) luto é a melhor.» «Os 100 euros, por que (pelos quais) vendi o carro, dá-los-ei aos pobres.» «Estão à vista as causas por que (pelas quais) ainda te conservas na minha casa.»

b) Quando por é preposição e o que é pronome interrogativo adjunto: (chama-se adjunto por vir junto dum substantivo, ligado a ele pelo sentido). Exemplos: «Por que (= por qual) razão/motivo/causa/pretexto, etc., não vieste ontem?» «Por que (= por quais) livros aprendeste?»

c) Quando por é preposição e que é pronome interrogativo:«Por que esperas? (= por que coisa esperas?)». «Que coisa esperas?»

3- Escreve-se Porquê:

O vocábulo porquê pode ser advérbio interrogativo e substantivo.

1) Advérbio interrogativo:

a) Andas triste, porquê? Anda, fala e diz-me lá porquê.
b) Porquê tanta maldade no mundo?

2) Substantivo:

É substantivo, quando significa causamotivorazão:

a) Precisamos de investigar o porquê dos acontecimentos para os compreendermos.
b) Como substantivo, pode-se empregar no plural: Os porquês de tudo isto sei-os, mas não os digo.
c) Como advérbio, porquê pode-se empregar no princípio, no meio e no fim da frase:

– Porquê tudo isto?
– Respondi assim não sei porquê, mas para a outra vez hei de pensar melhor.
– Respondi assim, mas não sei porquê.

por-que

Espero ter ajudado com esta explicação e que a partir de agora não voltem a cometer erros.

Bom estudo!

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ACENTUAÇÃO DE DÓI E FOI

Muitos alunos têm esta dúvida. Porque é que a forma verbal “dói” é acentuada e “foi” não?
Esta é uma dúvida muito frequente uma vez que ambas formas verbais são monossílabos.
A explicação é simples.

Vejamos:

A diferença a que se refere a pergunta deve-se ao facto de, em português, o “o” do ditongo “oi” poder ser aberto ou fechado. Fala-se, por isso, de ditongo aberto (rói) e ditongo fechado (foi). Na ortografia portuguesa, acentuam-se os ditongos decrescentes abertos que ocorrem em monossílabos e palavras agudas de uma sílaba. É por isso que dóiróidestrói e caracóis têm acento agudo.

No entanto, se o ditongo “oi” ocorre sem acento agudo nas condições já descritas, é porque é fechado:

boifoiEstoi (topónimo) (pronunciam-se “bôi”, “fôi”, “Estôi”).

Refira-se que, em princípio, este contraste ditongo aberto e ditongo fechado também existe entre éi e eifiéis (plural de fielvs. fieis (2.ª pessoa do plural do presente do indicativo do verbo fiar). Contudo, este contraste é cada vez menos produzido entre os falantes de português europeu, que pronunciam fiéis e fieis da mesma maneira, isto é, com o ditongo fechado, que no padrão tem a pronúncia “âi” (em transcrição fonética [ɐj]).

acentuacao-grafica

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